Uma obra inédita e original, assinada discretamente “Ta2”, representando uma paisagem campestre vista em ângulo oblíquo, com uma rua estreita de terra atravessando diagonalmente a composição. A perspectiva conduz o olhar para uma pequena casa rústica em plano superior, apresentada em close, parcialmente escondida pela vegetação. A cerquinha rudimentar de madeira velha, branca e intensamente desgastada pelo tempo é o elemento principal da obra: tábuas irregulares, tortas, descascadas, envelhecidas, com falhas, rachaduras e diferentes espessuras, ocupando posição de destaque e recebendo a maior atenção pictórica.
A pintura deve ser inteiramente construída com as mãos, sem pincéis. O artista retira a tinta diretamente dos tubos e a aplica com força, pressão e movimentos repetitivos, utilizando dedos, palmas e bordas das mãos. A tinta é pressionada, arrastada, comprimida, raspada e sobreposta vigorosamente, criando impasto espesso, sulcos profundos, acúmulos e marcas físicas das mãos. A cerquinha deve receber tratamento particularmente intenso, com camadas de branco envelhecido, cinza, bege e pequenos tons terrosos, fazendo a textura da madeira parecer quase palpável.
A rua de terra, a vegetação e a casa são construídas com massas vigorosas de ocres, marrons, verdes profundos, cinzas e tons queimados. Ao longe, uma pequena forma feminina solitária surge na rua, propositalmente discreta e sem detalhes faciais, funcionando apenas como elemento narrativo e de escala. A cerca domina visualmente a composição, enquanto a casa em plano superior e a rua oblíqua criam profundidade. Pintura figurativa, austera, expressiva e não fotorealista, com forte presença da matéria, gestualidade firme, impasto vigoroso e marcas das mãos claramente visíveis. Sem pincéis, sem acabamento digital, sem aparência fotográfica, sem flores, sem elementos decorativos desnecessários. Assinatura discreta: “Ta2”.